No PSB, Brandão ganha o aval de Alckmin e apresenta credenciais de ficha limpa

Entre o presidente Carlos Siqueira e Flávio Dino e de Bira do Pindaré, Carlos Brandão exibe sua ficha de filiação ao PSB, resolvendo sua situação partidária

Repórter Tempo/Ribamar Corrêa

Ao retornar de Brasília, ontem, após filiar-se ao PSB, ao lado do ex-governador paulista Geraldo Alckmin, o vice-governador Carlos Brandão estava dotado das condições políticas e partidárias para liderar a aliança governista na corrida eleitoral na qual será governador candidato à reeleição, liderando a chapa que terá o governador Flávio Dino, que abonou sua ficha, como candidato ao Senado. Salvo pela condição partidária de quem vier a ser o vice, o PSB vai para as urnas com chapa “puro sangue” no que diz respeito aos candidatos majoritários. Carlos Brandão tem agora o pleno domínio do processo eleitoral no âmbito da base governista. Esse cenário é o resultado do longo e cuidadoso trabalho de articulação feito pelo governador Flávio Dino, apesar do racha no grupo formado em 2014 e que se manteve em 2018 e que agora teve a unidade rompida pelo projeto de candidatura do senador Weverton Rocha (PDT), que iniciou o rompimento nas eleições municiais de 2020.

Carlos Brandão tem agora uma situação política e partidária consolidada. Ele conta com o núcleo básico da aliança dinista, formada agora por PSB, PCdoB, PT, PP, e com fatias gordas e informais de Republicanos, PROS, Cidadania e do próprio PDT, o que lhe dá cacife político suficiente para chegar às urnas na condição de favorito ao Palácio dos Leões. O ato de filiação em Brasília foi revelador de que o agora pré-candidato do PSB tem o apoio do partido, conta com o respaldo da aliança governista e, muito importante: o aval de Geraldo Alckmin, pré-candidato a vice-presidente na chapa a ser liderada pelo ex-presidente Lula da Silva (PT), até aqui apontado em todas as pesquisas como franco favorito na corrida ao Palácio do Planalto. E deixou o seu aval bem claro na sua fala, quando declarou: “Se Deus quiser, o Brandão vai se eleger para continuar esse trabalho do governador Flávio Dino”.

Não foi um processo fácil. Carlos Brandão enfrentou indefinições partidárias por causa do jogo feito pelas cúpulas nacionais dos partidos e que acabam gerando dificuldades nos estados. Ele se elegeu e exerceu dois mandatos de deputado federal pelo PSDB, partido no qual se manteve como candidato a vice-governador. Perdeu o controle dos tucanos em 2017, numa armação feita pelo senador Roberto Rocha para sair do PSB, mesmo tendo saído das urnas municipais de 2016 com 28 prefeitos. Ingressou no Republicanos, e mesmo sem ter o controle do partido, ajudou a eleger metade dos 35 prefeitos do Republicanos. Retornou ao PSDB em 2021, mas novamente articulações enviesadas na cúpula nacional, que decidiu entregar o partido ao marido e operador político da senadora Eliziane Gama por conta de uma federação que juntou as duas siglas. Seu caminho natural foi seguir o governador Flávio Dino na migração para o PSB.

Os ventos sopraram a favor do vice-governador no desfecho desse roteiro partidário que chegou a lhe causar preocupações. O trabalho de articulação feito pelo governador Flávio Dino e seu staf político, comandado pelo presidente do PCdoB, deputado federal Márcio Jerry, e pelo presidente estadual do PSB, deputado Federal Bira do Pindaré, deu a Carlos Brandão o referendo necessário para que ele, com o lastro que construiu durante sete anos como vice correto e participativo, esteja solidamente credenciado a brigar pela reeleição ao cargo que assumirá no início de abril. Seus concorrentes certamente acompanharam com atenção cada movimento do vice-governador, e provavelmente avaliaram que têm pela frente um adversário difícil de ser batido.

Vale registrar as palavras do vice-governador Carlos Brandão dirigidas ao presidente do PSB, Carlos Siqueira, no ato da filiação: “Saiba, presidente, que o senhor recebe hoje, em seu partido, um homem íntegro, honesto, sem processos ou condenações, e com uma vida limpa”.

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