Políticos, empresários e mortos: 620 mil pessoas receberam auxílio emergencial sem ter direito

Levantamento feito pelo TCU mostra que as fraudes podem causar um prejuízo de mais R$ 1 bilhão aos cofres públicos

Um levantamento feito pelo Tribunal de Contas da União, que foi divulgado neste domingo 28 pela TV Globo, mostra que 620 mil pessoas –  inclusive mortos, políticos e empresários – receberam o auxílio emergencial do governo federal sem ter direito.

O relatório mostra também que, caso os pagamentos indevidos não sejam interrompidos, podem gerar um prejuízo de mais R$ 1 bilhão aos cofres públicos. No documento, de 32 páginas, que ainda será apresentado aos demais ministros do órgão, os fiscais do TCU detalharam todas as irregularidades descobertas no primeiro mês de pagamento do benefício, em abril.

A reportagem feita pelo Fantástico mostra personagens que não se enquadram nos requisitos para receber o auxílio, mas sacaram os R$600. É o caso de Ana Paula Brocco, de Espumoso, no Norte do Rio Grande. Ela está na lista de beneficiados com o auxílio emergencial, mas nas redes sociais ostenta fotos em viagens internacionais e tem um casamento no Caríbe marcado para dezembro.

Políticos com patrimônio milionário também fazem parte da lista de beneficiários do auxílio emergencial. Um levantamento feito pelo Globo com base em dados do Ministério da Cidadania e do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) identificou que candidatos a cargos públicos nas eleições de 2016 e 2018, cujas declarações de bens ultrapassam R$ 1 milhão, estão recebendo a ajuda do governo.

Familiares de políticos e assessores também constam na lista. Foi desta forma que Márcia Oliveira de Aguiar, a esposa de Fabrício Queiroz e foragida da Justiça, conseguiu sacar R$ 600. Márcia é suspeita, junto com o marido, de participar de um suposto esquema de rachadinha no gabinete do senador Flávio Bolsonaro.

Empresários e mortos

Para receber o auxílio do governo, a pessoa precisa comprovar que é um profissional autônomo de baixa renda, mas alguns empresários conseguiram burlar esse critério. De acordo com o relatório, 235.572 empresários, que não são microempreendedores individuais, receberam o benefício irregularmente. Também foram pagos 15.850 auxílios para pessoas com renda acima do limite estabelecido pelo programa.

Pessoas que não faleceram também estão na base de dados dos beneficiados pelo auxílio. De acordo com o TCU, 17.084 mortos sacaram o dinheiro. É o caso do José Carlos Líbano, morto por engano numa chacina há 4 anos, em Gravataí, na Região Metropolitana de Porto Alegre. A viúva diz que não sabe como a fraude foi cometida.

De acordo com o Ministério da Cidadania, 47,7 mil pessoas que receberam o benefício, mas não se enquadravam nos critérios da lei, devolveram o dinheiro. Com isso, voltaram aos cofres públicos R$ 39,6 milhões. O Ministério também já suspendeu o pagamento de 600 mil benefícios entre a primeira e a segunda parcela, por irregularidades.

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