Bolsonaro estimula agressões nas redes, mas não repetirá 2018

Por Fernando Brito, editor do TIJOLAÇO

Em entrevista dada hoje cedo a uma rádio capixaba, Jair Bolsonaro queixou-se de que um “poderio ditatorial de controlar as pessoas têm crescido“, referindo-se às sanções impostas pela Justiça aos ataques que as suas falanges têm feito, inclusive com armas e ameaças, a quem se opõe ao atual governo. Com as decisões judiciais, diz ele, “a esquerda tem ganhado muito” e “em detrimento das opiniões da direita”.

Bilsonaro fez a defesa da “imunidade” do deputado Daniel Silveira, aquele que chamou o ministro Alexandre de Moraes de “Xandão do PCC” e disse ter vontade de amarrar Luiz Edson Fachin num poste e surrá-lo “com um gato morto”.

É evidente que o objetivo do presidente é açular suas matilhas para adotarem comportamentos similares nas redes sociais.

Mas, agora, as condições já não são as mesmas para que se faça isso.

Metade de seus terroristas cibernéticos está acoelhada. Sabe que, na hora em que “o bicho pega” Bolsonaro faz que não vou e os abandona à própria sorte.

Os que lhe eram caudatários do golpismo que escalou até o Sete de Setembro, ficaram perplexos com a orfandade posterior à “cartinha do Temer”.

O bando olavista debandou e agora se isola numa espécie de confraria de feiticeiros digna de um filme de Harry Potter.

Até o fanatismo moralista que, antes, lograva incutir em igrejas evangélicas, acenando com fantasias orgiásticas que diziam ser a ação da esquerda vai se dissipando e Bolsonaro tem, hoje, índices de apoio por ali que já não são sequer majoritários, quanto mais quase unânimes como eram.

Nada disso, claro, faz Bolsonaro ser carta fora do baralho na sucessão presidencial, porque a loucura a que nos levaram , com a ajuda das elites da mídia e do dinheiro, deixou sequelas profundas e duradouras.

Podem tentar, e tentarão, novas jogadas sórdidas, como ensaiam fazer com a terceira abertura do caso da facada, mas a credibilidade será uma sombra da que tiveram as “fake news” no passado.

60% dos brasileiros nunca confiam no que Bolsonaro diz e outros 23% só “as vezes” e a questão da vacinação infantil, à qual o presidente tentou evitar deve ter jogado um pouco mais para cima este índice.

Mentiroso em quem ninguém acredita é algo completamente sem serventia.

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