Pela segunda vez, PMDB assume o governo pela via indireta

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Dilma e Temer – Foto: Alan Marques – 8.ago.2011/Folhapress

Folha de São Paulo

A ascensão definitiva de Michel Temer ao poder com a conclusão do impeachment da presidente Dilma Rousseff marca a segunda vez que o PMDB assume o governo federal pela via indireta. O interino toma posse no Congresso ainda nesta quarta-feira (31).

A primeira vez foi em janeiro 1985 com a eleição de Tancredo Neves, que morreu antes da posse, e de seu vice, José Sarney, que assumiu o cargo. A chapa Tancredo-Sarney venceu no Colégio Eleitoral após a derrota da campanha das Diretas Já e da emenda Dante de Oliveira, que instituía as eleições diretas para presidente da República. Foi a última eleição indireta do Brasil, regida ainda pela Constituição de 1967.

Na ocasião, a população elegeu os membros do Colégio Eleitoral –composto de membros do Congresso Nacional e representantes das Assembleias Legislativas dos Estados– que, por sua vez, escolheram o presidente.

Hoje, com a votação no Senado, o Congresso Nacional terá, ao tirar Dilma, colocado novamente um peemedebista no topo do executivo.

Temer não teria o mesmo sucesso pelo voto direto. Na pesquisa Datafolha de julho, ele aparece com cerca de 5% das intenções de voto nos diversos cenários de primeiro turno das eleições presidenciais. O índice é inferior ao da taxa de brancos e nulos, que nunca ficou abaixo de 14% nas simulações testadas, e próximo ao de indecisos, que nunca ficou abaixo de 6%.

O peemedebista ainda sofre rejeição de 29%, empatado com o senador Aécio Neves e abaixo apenas do ex-presidente Lula, que tem 46% de rejeição.

A aprovação de sua gestão, ainda na interinidade, era de 14%. A taxa é similar à avaliação da gestão de Dilma que, antes de seu afastamento, tinha 13% de aprovação

Nas eleições diretas ao Planalto o PMDB nunca se saiu bem. Ulysses Guimarães obteve 4,7% dos votos válidos em 1989, e Orestes Quércia, apenas 4,4% em 1994.

PMDB, 50

Partido que deu sustentação a PT e PSDB chega ao cinquentenário

PMDB, 50

  • 1966: MDB (Movimento Democrático Brasileiro) é registrado para abrigar a oposição consentida à ditadura após o regime extinguir o pluripartidarismo. Governistas formam a Arena (Aliança Renovadora Nacional)
  • 1974: Após anos de perseguição na ditadura, MDB lança, para denunciar o regime, a “anticandidatura” a presidente de Ulysses Guimarães contra o general Ernesto Geisel
  • 1980: País volta ao multipartidarismo e legendas são obrigadas a incluir “partido” no nome, levando assim a renomeação como PMDB
  • 1982: André Franco Montoro se elege governador de São Paulo pelo partido
  • 1985: Peemedebista Tancredo Neves se elege indiretamente presidente da República, mas morre antes de tomar posse. Em seu lugar, assume o vice José Sarney
  • 1988: PMDB perde parlamentares à época mais à es- querda, como Fernando Henrique Cardoso e José Serra, que criam o PSDB
  • 1989: Em primeira eleição direta para presidente pós-ditadura, candidato do PMDB, Ulysses Guimarães, obtém só 4,7% dos votos
  • 1994: No pleito seguinte, Orestes Quércia ganha só 4,4% dos votos. Foi a última eleição em que a sigla teve candidato próprio
  • 2002: Partido dá apoio oficial ao candidato a presidente José Serra e indica sua vice, Rita Camata, mas caciques, como Sarney, apoiam Lula
  • 2010: Partido indica seu presidente nacional, Michel Temer, como vice de Dilma Rousseff, repetindo a indicação na eleição seguinte

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