Estou vendendo jumento

Blog do JM Cunha Santos

Como os políticos não decidem se Sarney deve viajar de helicóptero ou de jumento, aproveito esse espaço para um pequeno comercial. Estou vendendo um jumento, um jegue, um asno com 15 mil quilômetros rodados apenas, um mamífero perissodactilo que, embora tenha orelhas compridas e focinho, tem vergonha na cara e não mete a mão no alheio.

Não é burro e, portanto, não pega todo tipo de carga como, por exemplo, pacotes de dinheiro de ministérios, cópias de atos secretos, transferências financeiras para empresas fantasmas, jornal Folha de São Paulo e revista Veja e outras cargas perigosas para quem governa o Maranhão.

Mas não é também um asno de alma pura. De vez em quando ele carrega um senador, um empreiteiro, um secretário de Estado, desde que lhe permitam provar do “capim verde” das ilhas particulares.

Como não é um muar de origem cristã, meu Equus ferus caballus não carrega doentes nem gente honesta ou que fuja da polícia como o menino Jesus, carregado em outro jumento, fugiu de Herodes Antipas. Isto porque, ao contrário dos outros de sua raça, nasceu do cruzamento híbrido de um helicóptero ilegal com uma mula de fina estampa e deu no que deu. Daí, a zoada que ele faz.

Robustez, capacidade de adaptação a corredores de palácios, caminhos acidentados e meio ambiente adverso, além de docilidade com os que estão no poder são seus principais atributos, defeitos que adquiriu na convivência com a raça humana.

Em tempo: o jumento é também muito bom de campanha eleitoral. Melhor que qualquer helicóptero alugado pelo governo do Amapá

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