Repasses da CBF à Federação Maranhense viram caso de polícia



Presidente da FMF, Alberto Ferreira se negou a apresentar os recibos com a comprovação dos repasses da CBF.

Entre os indícios de crimes contra a federação estadual estão lavagem de dinheiro e sonegação fiscal.



Wilson Lima

iG

A pedido do MPE (Ministério Público Estadual) do Maranhão, a Seic (Superintendência Estadual de Investigações Criminais) abriu inquérito policial na última quinta-feira para apurar indícios de irregularidades nos repasses de recursos da CBF (Confederação Brasileira de Futebol) à FMF (Federação Maranhense de Futebol).

O presidente do inquérito, delegado Augusto Barros, apura indícios de crimes de desobediência envolvendo o presidente da FMF, Alberto Ferreira. Também estão sendo apurados crimes contra a ordem econômica, sonegação fiscal, crimes contra o sistema financeiro e contra a previdência social, lavagem de dinheiro, corrupção, suborno, entre outros.

Paralelamente à investigação criminal, tramita um inquérito civil público presidido pela promotora Lítia Cavalcante, da promotoria do consumidor, que também apura indícios destes crimes. Quatro promotores fazem parte da investigação. Um é responsável por indícios de crimes de ordem tributária, outra cuida das irregularidades em fundações e um é encarregado de apurar crimes de improbidade administrativa.

O principal questionamento do Ministério Público do Maranhão e da Polícia Civil diz respeito à falta de transparência dos recursos da CBF repassados à FMF. No mês passado, por exemplo, a FMF divulgou dois balancetes diferentes na internet. Um no qual teria recebido da CBF R$ 240 mil durante o ano de 2010; outro, em que diz ter recebido R$ 320 mil. Um dos balancetes, por exemplo, não tinha a assinatura do presidente da FMF.

A Federação se negou a apresentar os recibos com a comprovação dos repasses da CBF. O presidente da FMF afirmou que somente iria apresentar a documentação por medida Judicial e ainda afirmou, em ofício ao Ministério Público, que a entidade “não teria competência para uma investigação deste gênero”. Ferreira também ingressou com um habeas corpus preventivo para não entregar a documentação ao Ministério Público. Ele teve o habeas corpus negado.

A CBF já encaminhou alguns extratos de pagamento ao Ministério Público Estadual e divulgou nota de repúdio contra Ferreira por dificultar a ação do MPE. Os dois inquéritos também apuram como foi gasto esse dinheiro repassado pela CBF e se os clubes maranhenses tiveram acesso a parte dele. Alguns negam que receberam qualquer ajuda da FMF no período. Alberto Ferreira não foi encontrado pelo iG para comentar a investigação do MPE e da Polícia Civil.

Há pelo menos dez anos o futebol do Maranhão vive uma crise sem precedentes. Hoje, apenas o Sampaio Corrêa disputa um título nacional, o Campeonato Brasileiro da Série D. O tradicional Moto Club decretou falência no ano passado, mas ainda participa de competições locais.

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