Blog do Rovai: Pesquisas mostram que segurança pública pode decidir a eleição

Betinho já ensinou que quem tem fome tem pressa. Neste campo da violência também há esse sentido de urgência. Se quiser se reeleger, Lula terá de entrar em campo com tudo nessa área. Mas, para isso, vai precisar ajustar o discurso.

Lula durante entrevista no Palácio do Planalto. Ricardo Stuckert / PR

Por Renato Rovai/Revista Fórum

A chacina de Cláudio Castro (PL-RJ) destampa um bueiro que estava em ebulição, tal qual um vulcão. E, ao invés de lavas, subiu o esgoto que a sociedade produz em termos de preconceito, punitivismo e barbárie.

Esse é um dado que precisa estar nas análises sobre a repercussão do evento do Rio. Mas há outros.

A sociedade brasileira está cansada de viver sequestrada tanto pela violência do crime organizado, quanto pela criminalidade comum – um produto da desigualdade social.

O morador das periferias não suporta mais ter que pagar pedágio para comprar um botijão de gás ou vender um churrasquinho na praça. E o classe média não dá mais conta de ter seu celular furtado.

São dois lados de uma mesma moeda. O segundo enxerga isso como culpa do governo.

E, neste momento, tudo o que é ruim, de algum jeito, cola no Lula – ao contrário de suas primeiras gestões quando se dizia que ele tinha o efeito Teflon: nada colava nele.

Governadores e prefeitos ficam com os louros quando as coisas melhoram. Mesmo que quem esteja pagando a conta seja o governo federal.

Betinho já ensinou que quem tem fome tem pressa. Neste campo da violência urbana também há esse sentido de urgência.

Na segurança pública tem sido assim também. Ou seja, se quiser se reeleger, Lula terá de entrar em campo com tudo nessa área. Mas, para isso, vai precisar ajustar o discurso.

A PF tem cumprido um bom papel nas operações de repressão econômica ao crime organizado. Mas isso ainda não é o suficiente.

É preciso organizar um projeto de reconquista dos territórios para o Estado. Acabar com barricadas e pôr fim ao domínio do tráfico em lugares onde vive o eleitor clássico do lulismo.

Concordamos que não é com operações como a de Cláudio Castro que se vai conseguir ter sucesso neste campo. Mas é necessário, então, apresentar um projeto nacional para esse enfrentamento. Como também é preciso criar um programa nacional de vigilância que melhore a segurança, principalmente nas cidades médias e grandes.

E aí o governo federal pode entrar fazendo parcerias com governos estaduais e municipais.

Isso resolve o problema? Evidentemente que não. Isso é um começo.

A sociedade precisa sentir que o governo federal está fazendo algo nesta área para além de discursos e projetos de médio e longo prazo.

Ao mesmo tempo é preciso aceitar o debate do endurecimento de penas para crimes contra a vida e para quem comprovadamente está na estrutura do crime organizado.

Não se deve classificá-lo como organizações terroristas, porque não o são. Mas também não se pode permitir a faccionados a progressão de pena padrão.

Enfim, a eleição de 2026 vai ser a da segurança pública, porque a economia vai bem – e a oposição e nem a mídia vão querer pautar aquilo que tá dando certo.

Cabe ao governo Lula dizer que quem arrumou a casa na área social – tirando milhões da miséria, ajustando as contas para gerar mais empregos e dando isenção no IR para quem ganha até R$ 5 mil – tem mais condições de resolver o problema da segurança.

A questão que pega é que o campo progressista tem um discurso errático ao tratar de segurança.

Se isso não for ajustado levando em conta a voz das ruas, sem cair no populismo penal, a reeleição de Lula pode ficar muito mais complicada do que parecia.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *