O dia a dia de pescadores que com árduo trabalho capturam os melhores peixes da região.
Já vi muita gente se queixar do preço de peixes no Mercado Público de Araioses. Dizem é que está caro o quilograma do pescado, o que não é justo.
A repetição dessas queixas me fez tomar a decisão de acompanhar – por dois dias – uma pescaria de “arrastão” no Delta na companhia dos pescadores Zeca da Rosa e de seu filho Tiário.
Saímos às 5 horas da manhã de terça-feira, dia 25 e após deixar nossos pertences em um dos barracos das dunas do Morro do Meio, ainda houve tempo de fazermos dois lances de “arrasto”.
A pescaria de arrasto é uma das mais difíceis e trabalhosas de ser realizada.
São dezenas de “braças” de rede (uma braça mede 1,5m) que jogadas se arrastam no no fundo do mar com maré enchendo ou vazando, onde a sorte está lançada que tanto pode ocorrer sem problemas e trazendo bastante peixes ou trazer galhos e tocos de vegetação que pode fazer um estrago na rede ou no mínimo dar um enorme trabalho para o pescador.
Dos peixes a ser pescados em redes de malha grande, a pescada amarela e o camurim – também chamado de robalo – são os mais encontrados em toda a época do ano nas águas do Delta do Parnaíba em Araioses, porém dependendo da ocasião aparece – sempre em grandes cardumes – o xaréu e com mais raridade a enchova, a curimã, entre outros.
Nas redes de malha pequena os peixes mais pescados são as tainhas que no sul e sudeste do país são chamadas de parati.
Nas dunas do Morro do Meio, como também na Ilha do Passeio e Mutantes existem dezenas de barracos, onde acampam pescadores de várias localidades de Araioses como Carnaubeiras, Ilha de Barreiras e Ilha de Canárias.
Para os dias de pescarias – que pode durar até uma semana – esses pescadores levam arroz, café e leite em pó, sal, farinha, açúcar e água para beber, uma vez que a encontrada lá, só é usada para banhos ou para fazer a comida.
Esses pescadores contam com apoio de três compradores de Carnaubeiras do que pescam levando gelo para eles e trazendo a produção da pesca todos os dias, onde parte dela é vendida naquela comunidade e o restante – a maior parte – vem para cidade de Araioses e pousadas da região.
Apesar das dificuldades do dia a dia desses pescadores, eles são alegres e levam o tempo todo um tirando “sarro” um do outro.
O barraco que fiquei é chamado do Louro, mas na verdade ele foi construído por ele e mais quatro colegas e abriga até quinze pescadores.
Pescador come tudo o que pesca, não importa que peixe seja. Dos peixes grandes escolhidos para a venda, deles são tirados as vísceras como as ovas, fígado e coração. Tudo isso vai parar na brasa, para depois serem consumidos. Desnecessário dizer que assados e com farinha de puba eles são muito gostosos.
O trabalho do pescador, principalmente os que pescam nas águas do Delta é muito duro e só uns poucos tem coragem e determinação para fazê-lo.
Portanto, antes de reclamar do preço do peixe na hora de comprá-lo pense e reflita, que para ele chegar até a banca do mercado custou muito trabalho de pescador, que na maioria das vezes você não conhece.
Em breve reportagem sobre pescaria de “cercar igarapé”, uma das mais trabalhosas que já vi.









