Como separar o ato de Bolsonaro do desfile militar em 7/9?

Por Fernando Brito, editor do TIJOLAÇO

Espera-se que os grandes jornais façam aos dirigentes das Forças Armadas uma pergunta simples e direta: o que se pretende fazer para que não sejam a mesma coisa o ato subversivo que Jair Bolsonaro convoca – “a última vez que vocês irão à rua” – para o Sete de Setembro em Brasília e o desfile militar que se anuncia grandioso para a mesma data, até em razão dos 200 anos da Independência.

É claro que a intenção é a de fazer uma só imagem do que são os espectadores de um e dos manifestantes de outro.

No ano passado, o cancelamento do desfile, oficialmente em razão da pandemia, evitou que os xingamentos e ataques ao Supremo se estendesse às colunas armadas. Desta vez, não.

O que farão os generais do Alto-Comando? Permitirão que suas tropas desfilem ao lado de faixas dizendo “Intervenção Militar Já”, ou “Fechem o TSE e o STF”, ou “Prendam Fachin”?

Serão dois Bolsonaro diferentes os que, num momento, perfilam-se no palanque das autoridade da República e, logo depois, vão para o palanque vociferar contra “os canalhas do Supremo”?

Mesmo que se diga que são eventos separados, como separar duas cenas que têm o mesmo palco e o mesmo protagonista?

Faça-se a pergunta aos generais, porque ao presidente a resposta será um cínico dizer que são ambas manifestações cívicas.

Ele próprio já demonstrou isso, ao reunir manifestantes, em abril de 2020, pedindo uma ditadura na porta do QG do Exército, forçando o então comandante, general Edson Pujol, a mandar fechar os portões e não permitir que seus soldados se juntassem àquela cena patética.

Cabe aos fardados falar e agir agora para mostrar que não serão ambas manifestações golpistas. Ou será que não há mais generais como aquele?

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