Por linhas tortas, o direito de comer…

Por Fernando Brito, editor do TIJOLAÇO

É claro que a forma pela qual se chegou ao aumento do valor do auxílio às famílias mais pobres do Brasil, através de uma emenda constitucional feita às pressas, com golpes parlamentares e burlas evidentes à legislação eleitoral, foi vergonhosa e abjeta.

É claro, também, que é degradante que este aumento esteja previsto para durar até que os votos do povo brasileiro sejam depositados na eleição presidencial.

Igualmente verdade que se deverá obter os recursos para isso, que não existem na estrutura tributária do país.

Nada disso importa quanto o fato de que, coma aprovação ampla de toda a direita política e empresarial, aprovou-se um novo artigo na Declaração dos Direitos Humanos do Brasileiro: toda a família tem o direito a receber o suficiente para, ainda que pobremente, comer e de dar de comer a seus filhos.

Sim, é o que fazia o Bolsa-Família, mas com uma resistência imensa do pensamento elitista, que levantava sempre a história de que isso era subsidiar a “vagabundagem”. Agora, pelas suas próprias mãos, não têm como rejeitar uma arma extrema contra a fome.

Como terá de aceitar a discussão sobre como alterar regras tributárias para mantê-la – é impensável, politicamente, que acabe em dezembro.

Seja pela criação do imposto sobre grandes fortunas, seja pela necessária tributação de lucros e dividendos a partir de um certo valor, o dinheiro terá de surgir. Dinheiro público, afinal, vem da cabeça do governante, que propõe à sociedade de onde eles.

Não creio que se deva ter grande preocupação com o impacto eleitoral do novo auxílio.

Bolsonaro, como dizem os gaúchos, está marcado na paleta, carrega a imagem de desprezo aos pobres, aos vulneráveis, às mulheres, aos jovens, aos trabalhadores mais humildes, às minorias, a todos que, enfim, precisam da proteção coletiva.

Lula carrega o contrário no seu DNA.

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