Sem candidatos presidenciais, alguns pré-candidatos a governador perdem consistência política e eleitoral

Carlos Brandão, Hertz Dias, Simplício Araújo e Enilton Rodrigues têm candidatos presidenciais, enquanto Weverton Rocha, Lahesio Bonfim e Edivaldo Jr. ainda continuam sem vínculo formal com candidatos à presidência da República

Por Ribamar Corrêa/Repórter Tempo

Com exceção do governador Carlos Brandão (PSB), que está total e efetivamente alinhado ao projeto de candidatura do ex-presidente Lula da Silva (PT), de Hertz Dias, cujo partido, o PSTU tem Vera Lúcia como candidata a presidente, e de Simplício Araújo (Solidariedade) e Enilton Rodrigues (PSOL), que seguem a linha adotada por seus partidos no apoio a Lula das Silva, os demais candidatos ao Governo do Estado – Weverton Rocha (PDT), Lahesio Bonfim (PSC) e Edivaldo Holanda Jr. (PSD) – ainda não bateram martelo em relação aos candidatos que apoiarão para o Palácio do Planalto. Mesmo aparentemente distanciadas das disputas estaduais, as pré-candidaturas presidenciais são fator importante, em alguns casos determinante na guerra pelo voto cujo desfecho será em outubro. Nessas eleições, o não atrelamento de um candidato a governador a um candidato a presidente da República, além de causar má impressão, produz a imagem segundo a qual o aspirante ao Palácio dos Leões não tem lastro político sólido e, nesse sentido, passa a ser visto de maneira enviesada pelo eleitor.

Nesse contexto, a situação mais complicada é a do senador Weverton Rocha. O partido dele tem o ex-ministro Ciro Gomes como candidato a presidente, mas ele até agora não fez um só gesto nem disse uma só palavra de apoio ou contra o projeto de candidatura do líder cearense. Weverton Rocha apostou todas suas fichas numa aliança com o petista Lula da Silva com o aval do PT. O projeto foi a pique quando PT e PSB firmaram aliança em torno das candidaturas de Lula da Silva para presidente, do governador Carlos Brandão à reeleição, tendo como companheiros de chapa o advogado Felipe Camarão (PT) e o ex-governador Flávio Dino (PSB) ao Senado. Sem aliados na esquerda, o pedetista deixou de lado os pruridos ideológicos de centro-esquerda e se aliou à direita bolsonarista. Ele tem agido como se não tivesse candidato a presidente, mas no meio político é tido como certo que ele tem o aval do presidente Jair Bolsonaro (PL). Sua posição deve ficar mais clara durante a campanha.

Menos complexa, mas ainda confusa é a situação do pré-candidato do PSC, Lahesio Bonfim. Bolsonarista assumido, vinha sendo esnobado pelos aliados do presidente Jair Bolsonaro. Certo de que não teria o apoio do presidente e sua turma no Maranhão, o ex-prefeito de São Pedro dos Crentes também passou a esnobar os bolsonaristas e seus aliados, dizendo que não quer ser candidato de Jair Bolsonaro, mas do povo do Maranhão. Em ascensão nas pesquisas, já ameaçando alcançar o senador Weverton Rocha, Lahesio Bonfim vem ganhando estatura e, segundo alguns observadores, já começa a ser olhado com simpatia por grupos da direita que não estão se sentindo seguros nem confortáveis na base de apoio do pré-candidato pedetista. No meio político já se diz que, caso Lahesio Bonfim se aproxime mesmo do segundo colocado, sua candidatura terá o apoio de boa parte das alas bolsonaristas.

O pré-candidato do PSD, Edivaldo Holanda Jr., vive uma situação aparentemente confortável pelo fato de o seu partido não ter um candidato a presidente da República, desobrigando-o desse compromisso de campanha. Só que, ao contrário do que aparenta, o fato de não estar atrelado a um projeto de candidatura presidencial o deixa isolado e sem um norte político visível na guerra pelo voto. Hoje, nenhuma avaliação equilibrada do cenário eleitoral identifica consistência e perspectiva de sucesso nas urnas numa candidatura sem vínculo político nacional. É provável que esse seja um dos fatores que estão “segurando” o ex-prefeito de São Luís estacionado na quarta colocação.

Pode ser que esse desenho seja alterado pelas convenções partidárias que confirmarão as candidaturas. Mas a julgar pela evolução dos fatos até aqui, parece forte a tendência de que esse quadro pode se manter até outubro, o que favorece fortemente a posição da chapa liderada pelo governador Carlos Brandão.

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