Bolsonaro já sabe de requintes de crueldade na morte de Dom e Bruno

Por Fernando Brito, editor do TIJOLAÇO

Jair Bolsonaro deu entrevista há pouco para a CBN, dizendo que “os indícios levam a crer que fizeram alguma maldade” com o indigenista Bruno Pereira e o jornalista inglês Dom Philips.

O jornal The Guardian, para o qual Philips trabalhava, diz que a embaixada britânica no Brasil relatou à família de Philips que os dois foram encontrados amarrados a uma árvore.

E diz que os objetos pertencentes aos dois, recuperados ontem e assinalando o trecho da mata em que foram assassinados, foram descobertos não pelas autoridades brasileiras, mas “graças a uma pequena, mas determinada equipe de busca indígena” que há uma semana buscavam Dom e Bruno.

Está evidente que o presidente já sabe de tudo o que aconteceu e está usando o tempo para desvencilhar-se da impressão geral, diante das evidências, de que menosprezou o crime, porque seu discurso em favor dos ilegais da Amazônia é um convite a que estes grupos pratiquem a violência contra as populações indígenas e aos que lhes são solidários.

Os danos à imagem do país estão apenas semelhantes e vão se ampliar nas próximas horas, com a revelação dos fatos e imagens de um ato de dantesca selvageria, pouco importa que se esconda, por algumas horas, a brutalidade que se praticou com a dupla.

À qual o governo brasileiro só reage dizendo que “ah, lá é muito perigoso e eles não pediram escolta”.

Repito o que disse ontem: há mais de dois anos as Forças Armadas foram, em tese, mobilizadas para deter o desmatamento e outras ilegalidades na Amazônia. Não tiveram sucesso nem mesmo para acabar com a ideia de impunidade, sem a qual este crime dificilmente teria sido cometido.

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