Jornal Nacional mente para defender política de reajustes da gasolina na Petrobras

Para defender interesse das grandes petrolíferas, Globo omite desmonte do parque de refino pelo golpe e pela Lava Jato para justificar dolarização nos preços da gasolina e do diesel no Brasil

Renata Vasconcellos apresenta reportagem no Jornal Nacional.                      Créditos: Reprodução/TV Globo

Por Plinio Teodoro/Revista Fórum

Sempre alinhada aos interesses das grandes petrolíferas transnacionais, não é de hoje que a família Marinho usa a Globo e, em especial, o Jornal Nacional, para mentir, omitir e distorcer informações que privilegiem seus verdadeiros patrões: o sistema financeiro e a banca capitaneada pelos EUA.

Após se aliar ao lawfare lavajatista que resultou no golpe contra Dilma Rousseff (PT) e entregou a Petrobras aos interesses do “mercado” – com a imediata adoção da chamada Política de Paridade de Importação (PPI) -, a Globo, em reportagem no Jornal Nacional na noite desta segunda-feira (14) mentiu ao dizer que o Brasil “precisa” importar petróleo.

A desculpa é uma das principais falácias que circulam sobre o tema: que as refinarias do país não são capazes de processar o óleo extraído nos campos nacionais por ser “mais pesado, mais viscoso”.

Segundo especialistas ouvidos pela Fórum, a premissa é usada justamente para justificar a importação do petróleo. Em 2021, a Petrobrás produziu 2,21 milhões de barris por dia, sendo 76% do total produzido no país, dos quais 73% vieram do pré-sal. Foram exportados pela Petrobrás 575 mil e importados 154 mil barris por dia.

No total, o parque de refino da Petrobras processou 92% do petróleo nacional, o que mostra que há total capacidade de se produzir gasolina e diesel sem nenhum tipo de “mistura” com outros tipos de petróleo, como alega o JN.

Uma das fontes ouvidas pela reportagem relatou à Fórum que a grande questão no que se refere à capacidade de processamento do petróleo, no entanto, ficou de fora: o desmonte do parque de refino da Petrobras.

Para atender aos interesses das grandes petrolíferas transnacionais, o governo golpista de Michel Temer (MDB) e a Lava Jato paralisaram todo o projeto de construção de refinarias que fazia parte do plano dos governos de Lula e Dilma Rousseff, do PT, de nacionalizar a indústria dos combustíveis dando autossuficiência ao país, atendendo à política de segurança energética.

Mesmo assim, a Globo mente, omite e distorce ao dizer que o país não tem capacidade de refino para atender à demanda nacional – mais uma vez em defesa dos interesses dos importadores, que compram gasolina das grandes transnacionais para vender no mercado interno.

Dados da Associação Dos Engenheiros Da Petrobras (Aepet), mostram que em 2014 foram produzidos 181,6 milhões de barris de Gasolina A no Brasil, equivalente a 248,8 milhões de barris de Gasolina C (com 27% de etanol anidro).

Em 2021 – 7 anos depois! -, o mercado brasileiro de Gasolina C foi de 247,2 milhões de barris. Ou seja, há capacidade. O que falta é vontade política.

Em relação ao diesel, a história é praticamente a mesma. Em 2014 foram produzidos 312,4 milhões de barris de diesel no Brasil. Em 2021, o mercado brasileiro de diesel de origem fóssil – descontada a fração de Biodiesel – foi de 343,4 milhões de barris.

Seria possível atender a demanda, caso não houvesse o desmonte da indústria brasileira praticada pela aliança mídia liberal, governo golpista e Lava Jato.

Na visão de um petroleiro ouvido pela Fórum, a Globo pratica a tática Tostines. A emissora diz que se pratica a PPI porque não tem refino, quando na verdade não se investe em refino para praticar a PPI.

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