Ocidente arrisca tudo na guerra contra a Rússia

“Rússia vai ficar mais saudável sem McDonald e Facebook. Mas o Ocidente não tem como substituir trigo, fertilizantes, paládio, petróleo”, escreve George Barbosa

Joe Biden e Vladimir Putin (Foto: Reuters)

Por George Torres Barbosa

Note que a China reiterou, ontem, uma amizade com a Rússia mais firme do que a rocha e já trabalha com um gasoduto trazendo o gás siberiano. Além de acelerar com a Rússia um sistema de pagamento internacional alternativo ao Swift.

Nem a Venezuela, sancionada e com reservas internacionais confiscadas há anos por Londres e Washington, se dignou a ceder à investida dos EUA que, no dia de ontem, prometia ao Maduro o levantamento dos embargos para trazer a Venezuela de volta ao mercado internacional. Talvez, o Maduro tenha perguntado aos emissários do tio Sam se eles já esqueceram do Guaidó, reconhecido como governante pelo imperialismo estadunidense.

Não dá pra Rússia assistir o ingresso na Otan da Ucrânia que põe mísseis médios a menos de 7 minutos de Moscovo, muito antes de qualquer retaliação ao mandante, os EUA.

Essa disputa não é determinada por ideologia, embora os nazi-fascistas de Azov venham matando 14 mil russos étnicos, desde o golpe de 2014, que derrubou o governante eleito, um russo étnico.

A Rússia vai ficar mais saudável sem MacDonald e Facebook. Mas o Ocidente não tem como substituir o trigo, os fertilizantes, o paládio, a platina, o alumínio, os 5 milhões de barris de petróleo por dia e 40 por cento do gás natural pra Europa. Não é só para esquentar os europeus, o gás é crucial para a indústria alemã sem o qual ela vai parar. Os EUA  não conseguem suprir com navios gaseiros, de rebaixamento criogênico, o GNL equivalente à oferta da Rússia, além do preço norte-americano ser quase 5 vezes maior do vem pelo gasoduto Yamal, via Ucrânia, e até 10 vezes maior do que os gasodutos Nord Stream 1 e 2, diretamente para a Alemanha, pelo mar Báltico.

Não se esqueçam que os russos incendiaram Moscovo antes de entregar sua capital à Napoleão que, privado dos recursos mínimos de subsistência, teve que empreendedor retirada até a França sempre acossado pela cavalaria russa. Os rus de Kiev, origem comum da Ucrânia, Bielorrússia e Rússia, venceram invasores vikings, mongóis com sua horda de ouro, o império Napoleônico e o terceiro Reich de Hitler que perdeu 8 de cada 10 soldados seus para o Exército Vermelho.

Lembro, ainda, as advertências de George Kennan, o pai da Otan, que ela não devia avançar além das suas posições ao final da União Soviética.

Mais específico ainda foi Henry Kissinger em artigo de 2014, no Washington Post,  quando o Ocidente financiou e operou com nazi-fascistas, visando destruir o governo eleito de Viktor Yanukovich, um russo étnico. Naquele momento, Henry Kissinger condenou peremptoriamente a entrada da Ucrânia na Otan. Ninguém pode imaginar simpatia de Kissinger pela Rússia. Ele advertiu que o papel da Ucrânia deveria ser de ponte entre ocidente e Oriente, servindo como estado tampão a prevenir o choque e nunca tomar o lado da Otan.

Mais recentemente, o comandante da marinha alemã  de guerra alemã, pouco antes da deflagração das hostilidades, disse publicamente que Putin merecia respeito e, nas palavras daquele militar alemão, POR DEUS, NÓS DEVEMOS RESPEITAR A INTEGRIDADE DA RÚSSIA.

E por falar em alemão, a revista DER SPIEGEL, revelou entendimentos havidos entre George Bush pai e Gorbatchev, com a interveniência do chanceler alemão HELMUT KÖLL, nos quais se prometia a, então, União Soviética que se esta não se opusesse à reunificação da Alemanha, as fronteiras da Otan permaneceriam no Rio Elba que fica na Alemanha sem avançar uma polegada em direção ao leste.

Este artigo não representa a opinião do Brasil 247 e é de responsabilidade do colunista.

George Torres Barbosa – Advogado concursado da Petrobrás de 1990 a 2021. Foi presidente do Conselho de Administração da Termomacaé Ltda., conselheiro da UEG ARAUCÁRIA e diretor financeiro da Baixada Santista Energia SA. É especialista em direito ambiental e LL.M. em direito corporativo

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