“Janela” para migração partidária sem risco de perder mandato será aberta nesta Quinta

Othelino Neto e Wendell Lages mudarão de partido usando a “janela”; Carlos Brandão e Roberto Rocha farão migração partidária fora das exigências

Por Ribamar Corrêa/Repórter Tempo

Nesta quinta-feira, terceiro dia do mês de março e a exatos sete meses das eleições, começa o período da “janela partidária”, por meio da qual deputado estadual e deputado federal poderão mudar de partido sem correr o risco de perder o mandato para a agremiação partidária que vierem a abandonar. No meio político maranhense, a expectativa é que um expressivo número de parlamentares troque de partido, num amplo processo de ajuste e acomodação com o objetivo de melhorar o seu desempenho eleitoral. Quadros como o presidente da Assembleia Legislativa, deputado Othelino Neto, que deverá migrar do PCdoB para o PDT, movimentarão o cenário político nos próximos dias. Fora da dos limites da “janela partidária”, outras mudanças estão previstas, no plano majoritário. As trocas partidárias proporcionarão os ajustes necessários para a composição das chapas proporcionais para as eleições de outubro. A “janela” permanecerá aberta até 1º de abril.

O sai-entra maior se dará na Assembleia Legislativa, onde vários deputados mudarão de partido. O exemplo mais expressivo será a mudança, já há tempos anunciada, presidente Othelino Neto. Ele se elegeu em 2014 e se reelegeu em 2018 pelo PCdoB, mas decidiu migrar para o PDT. A explicação é simples: o PCdoB é um dos pilares da pré-candidatura do vice-governador Carlos Brandão, enquanto que Othelino Neto é o mais importante apoiador da pré-candidatura do senador Weverton Rocha (PDT), o que tornou inviável, política e eticamente, sua permanência na agremiação comunista. O PDT é o seu caminho natural, e a filiação deve ser formalizada nos próximos dias.

Além do presidente Othelino Neto, vários deputados deverão mudar de partido. É o caso, por exemplo, de Wendell Lages, hoje no PMN e que deve migrar para o PDT. O deputado Rafael Leitoa, um dos quadros mais destacados do chamado “PDT de raiz”, por causa do rompimento do o Grupo Leitoa, em Timon, o que o levou a apoiar Carlos Brandão, deverá deixar o partido, não estando ainda definido o seu destino partidário, que poderá ser o PCdoB ou até mesmo o PSB, apesar de o partido em Timon ser controlado pelo seu arqui-inimigo, o ex-prefeito Luciano Leitoa. Fala-se também nos bastidores que a deputada Betel Gomes pode deixar o PRTB e ingressar num partido que integre a base governista, como o PP, tendo declarado apoio à pré-candidatura do vice-governador Carlos Brandão.

Outra especulação sugere que o deputado Ciro Neto, um dos apoiadores de proa do projeto de candidatura do senador Weverton Rocha, poderá deixar o PP para se filiar ao PDT ou ao União Brasil (fusão do DEM com o PSL), que também está alinhado ao pré-candidato pedetista. E ainda o deputado César Pires, que deve deixar o PV para se filiar ao PSD, no qual já está militando como um dos articuladores da pré-candidatura do ex-prefeito de São Luís, Edivaldo Holanda Jr., ao Governo do Estado.

Com base no que a Coluna apurou até agora, pelo menos por enquanto, não há previsão de que algum deputado federal use a “janela partidária” para mudar de partido. Março é um mês longo e deverá ser um período de muitas decisões políticas importantes relacionadas com as eleições de outubro. Daí ser precipitado afirmar que não haverá mudança na atual bancada federal.

Fora da “janela”, uma vez que os migrantes não correm o risco de perder mandato, outras definições partidárias estão previstas. A primeira e já definida envolve o vice-governador e pré-candidato a governador Carlos Brandão, que deve deixar o liberalismo do PSDB para se converter ao socialismo democrático do PSB, num acerto já encaminhado e que, segundo o presidente estadual da agremiação, deputado federal Bira do Pindaré, deve ser concretizado nos próximos dias. E a outra movimentação partidária prevista envolve o senador Roberto Rocha, que está “balançando” entre tentar a reeleição e disputar o Governo do Estado. Ele está filiado ao PSDB, tentou ingressar no PL, seguindo o presidente Jair Bolsonaro, mas foi brecado pelo presidente estadual da legenda, deputado federal Josimar de Maranhãozinho. Recentemente, o senador insinuou que poderá permanecer no PSDB, com a saída do vice-governador Carlos Brandão.

As quatro semanas de março, portanto, serão decisivas para a definição das chapas proporcionais e majoritárias.

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