Vacina chinesa contra Covid-19 será testada no Brasil a partir de 20 de julho

Se comprovada sua eficácia, distribuição ocorreria a partir de meados de 2021, segundo diretor do Instituto Butantan

Governador João Doria anuncia medidas de combate ao coronavírus no estado Foto: Divulgação/Governo do Estado de São Paulo

Por Dimitrius Dantas

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SÃO PAULO — O governo de São Paulo anunciou nesta segunda-feira que os testes da vacina contra o novo coronavírus que o Instituto Butantan e o laboratório chinês Sinovac estão desenvolvendo começará no dia 20 de julho. Ao todo, 9 mil profissionais de saúde serão voluntários no estudo, como médicos, paramédicos e enfermeiros, em cinco estados, São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Rio Grande do Sul e Paraná. No sábado, o protocolo da vacina foi autorizado pela Anvisa.

A partir da semana que vem, o Instituto Butantan irá começar o recrutamento dos voluntários por meio de um aplicativo que ainda será colocado à disposição dos interessados. De acordo com o diretor do Instituto Butantan, Dimas Covas, a expectativa é de que, caso a vacina seja bem-sucedida, sua disponibilização ocorra a partir de meados de 2021.

— No mundo, são 136 vacinas sendo testadas, 12 delas em estudos clínicos. Dessas, três estão na fase 3, a mais avançada. Uma dessas é a que o Butantan fez esse acordo e é uma das que têm grande chance de chegar ao público — afirmou Dimas Covas.

Na fase 2, realizada com mil voluntários na China, foi observada a eficiência da vacina em mais de 90% dos participantes do estudo. No Brasil, Covas afirmou que a expectativa é de que uma análise preliminar dos resultados ocorra ainda este ano, o que possibilitaria o uso da vacina em meados do ano que vem.

— Essa é uma das vacinas mais promissoras e daí vem o meu entusiasmo. Estou muito entusiasmado que essa será uma das vacinas que chegará ao mercado com muita eficiência rapidamente — afirmou.

Para participar do estudo, o profissional terá que estar trabalhando no atendimento de pacientes com Covid, não ter sido infectado pela doença, não participar de outros estudos de vacinas, não estar grávida ou planejar engravidar nos três meses de estudo, não ter doenças instáveis ou que afetam o sistema imunológico e, por fim, não ter outras alterações que impeçam o cumprimento dos procedimentos do estudo, como alterações mentais ou distúrbios de coagulação.

Segundo Dimas Covas, o governo já tem reservada 60 milhões de doses da vacinas caso sua eficácia seja comprovada pelos estudos que estão sendo realizados no país e em outros países. As doses serão entregues ao Ministério da Saúde, que determinará como será sua distribuição.

Além da vacina da Sinovac, também está sendo testada no Brasil uma potencial vacina desenvolvida pela Universidade de Oxford, no Reino Unido, em parceria com a farmacêutica AstraZeneca, apontada pela Organização Mundial da Saúde (OMS) como a mais avançada até o momento.

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