Sem falar do encontro, José Sarney mostra em crônica por que conversou com Flávio Dino

José Sarney: posicionamento e respostas sobre o encontro com Flávio Dino

Por Ribamar Corrêa

O ex-presidente José Sarney continua dando mostras maiúsculas de genialidade política, mostrando que, usadas com inteligência, palavra e informação dizem tudo o que precisa ser dito sem que o objeto da abordagem seja necessariamente citado. Na sua crônica domingueira em O Estado, edição deste fim de semana, ele mandou todos os recados que queria sobre o encontro que manteve com o governador Flávio Dino, há duas semanas, em Brasília, e que suscitou todo tipo possível de especulação. Enquanto o governador Flávio Dino, em entrevista ao Jornal Pequeno, revelou o roteiro da conversa e os temas abordados, José Sarney justificou o encontro numa frase: “O Maranhão e seu povo estão em primeiro lugar, e é bom que tenhamos uma política respeitosa, civilizada e democrática”.

Antes desse fecho, que funcionou como recado direto e inteligente a aliados barulhentos e adversários renitentes, o ex-presidente escreveu um pequeno manifesto contra o ódio e a vingança na política, fazendo um retrospecto dos estragos sanguinários que esses sentimentos causaram ao motivar ações políticas ao longo da História. Lembrou, em tom de crítica, que Lênin, que na sua avaliação estimulou o ódio ao comandar a Revolução Russa e foi se inspirou no terror da Revolução Francesa numa política odienta e vingativa que resultou na morte de milhões de russos pelo comunismo.

Em seguida, repudiando a vingança como instrumento político, se posicionou como um defensor do diálogo e da democracia, aproveitando demonstrar esse posicionamento lembrando sua trajetória, suas conquistas e o reconhecimento de que foi alvo no Brasil e no mundo, como político e como escritor. E garantiu:

– Posso dizer, como Lincoln, que nunca cravei por meu desejo espinho algum no peito de ninguém.

E completou a frase inicial sobre a conversa com o governador, cujo roteiro confirmou ao jornalista e pesquisador Benedito Buzar, dizendo o seguinte:

– Jamais posso me desinteressar da situação nacional e maranhense.

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