Mulher com olfato apurado tem mais orgasmos, diz pesquisa

MARCO VARELLA

ENVIADO ESPECIAL A VIENA

Folha.uol

Parece que algumas mulheres têm um faro para orgasmos — literalmente. Uma pesquisa apresentada na 21ª Conferência Bienal de Etologia Humana, em Viena, mostrou que as moças mais sensíveis a odores, em especial os tipicamente masculinos, têm mais prazer sexual.

“Encontramos relações positivas entre várias medidas de sensibilidade olfativa e relatos da frequência de orgasmo feitos pelas mulheres” disse à Folha Lenka Novakova, estudante de doutorado na Universidade Karlova de Praga (República Tcheca).

Noventa mulheres, com idades entre 20 anos e 30 anos, que não usavam pílula e que estavam em relacionamentos amorosos por pelo menos seis meses, participaram da pesquisa.

Elas preencheram uma bateria de questionários sobre sua vida sexual e cheiraram vários tubos, contendo uma substância em diferentes diluições. Entre os compostos estava um feromônio (substância que influencia comportamentos pelo odor) da família das androstenodionas.

Esse esteroide é secretado pelas glândulas sebáceas e na urina e é um dos maiores responsáveis por conferir cheiro ao nosso corpo.

Aquelas participantes capazes de identificar odores mesmo quando eles estão bem diluídos são exatamente as que relatam ter mais orgasmos com seu parceiro.

“Esperávamos encontrar isso por conta de estudos prévios mostrando excitação fisiológica em mulheres quando expostas a um composto do odor masculino”, destaca a pesquisadora tcheca.

Novakova e colegas também viram que mulheres que têm mais excitação, desejo e satisfação sexual sentem mais intensamente cada concentração do feromônio.

Não houve diferença na habilidade olfativa em mulheres mais ou menos propensas a relacionamento de curto prazo ou nas mas orientadas para relacionamentos comprometidos.

ELES E ELAS

A literatura científica indica que, durante a paquera ou o sexo, homens são mais orientados para elementos visuais, enquanto nas mulheres vários fatores contextuais, incluindo o odor, fazem a diferença nos momentos de intimidade do casal.

“Como temos vários outros estudos com odores e feromônios em nosso laboratório, percebemos que mulheres anósmicas [incapazes de sentir cheiro algum] declaravam maior insatisfação social e sexual”, relata Novakova.

Para a pesquisadora, essa diferença estaria ligada à importância das fêmeas na escolha de parceiros amorosos em muitas espécies, incluindo a nossa. “As mulheres mais sensíveis à androstenodiona talvez sejam mais capazes de escolher e manter parceiros mais compatíveis” e, portanto, com mais chances de gerar filhos mais saudáveis.

Futuras pesquisas estudarão tanto os mecanismos fisiológicos responsáveis por essa correlação quanto os custos e benefícios evolutivos desses comportamentos.

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