Ninguém quer ser governador

Por JM Cunha Santos

Se contassem essa história a escritores do porte de um Gabriel García Márquez ou José Saramago, daria um daqueles romances que já saem do prelo com título de best-seller. Existe um lugar no planeta – e fica no Brasil – onde ninguém quer ser governador. Não quer o vice-governador, não quer o presidente da Assembleia Legislativa, não quer o presidente do Tribunal de Justiça. Ninguém quer. É o Maranhão.

Será que não querem com medo de pagar a dívida de R$ 2,3 bilhões que a governadora viajante está contraindo? Será porque não se sentiriam bem fechando escolas? Ou estarão com medo de não concluir a Via Expressa? Talvez apenas não queiram policiar uma cidade que é a quinta mais violenta do país e a 26ª do mundo, ninguém sabe.

Eles certamente não estão com medo de que os processos de cassação por abuso de poder político e econômico que pesam sobre a governadora viajante recaiam sobre eles. Seria a plena aceitação de uma aberração jurídica. O mais provável é que estejam apavorados com a movimentação da presidente Dilma Rousseff, que hoje se diverte chutando para escanteio o que convencionaram chamar de base aliada.

Governar um estado que paga anualmente R$ 660 milhões em juros e encargos de uma dívida que só cresce não é uma tarefa muito atraente. Mas daí a existir uma fila dos que não querem governar o Maranhão chega a ser entristecedor. O Maranhão é e sempre será único. Parece que aqui ser prefeito e vereador se tornou mais importante do que a primeira magistratura do estado. Talvez se tivesse a certeza de que nunca será responsabilizado, historicamente, pelos terríveis indicadores sociais do Maranhão, algum deles assumisse. Mas nessa hipótese ninguém quer acreditar.

Há, entretanto, uma solução para o impasse. É só incluir o Comitê de Imprensa da Assembleia na linha sucessória. Assumiremos. Nem que seja só para triplicar, ainda mais, em apenas 10 dias, o consumo anual de vinhos, champanhes e uísques importados do Palácio dos Leões.

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