O Novato – “O COSTUME DO CACHIMBO DEIXA A BOCA TORTA”

Entre trancos e barrancos o araiosense chega a meados de janeiro de um novo ano. E todos com expectativas de que dias melhores hão de vir e hão de lhes possibilitar um horizonte mais favorável, menos hostil do que aquele que se apresentou e teima em perdurar após a última eleição municipal em 2008.

Hoje, como diriam nossos progenitores, depois de três longos e agonizantes anos de chibata, já se sabe de trás para frente e de frente para trás, que se escolheu mal, pessimamente mal, principalmente os representantes do poder executivo dessa cidade. Prova disso é que os resultados negativos estão aí para que todos possam analisar, sobretudo em setores essenciais como a saúde e a educação.

No caso da atual gestão da cidade de Araioses e do grupo da qual ela fazia e faz parte, só a cegueira absoluta e a grande ingenuidade de um povo que ainda está infiltrado pelos ranços das antigas formas de gerenciamento, podem ter motivado tamanho equívoco. Afinal, como dizem alguns especialistas, os costumes em muitos casos se sobrepõem às leis, os costumes em muitos casos, são tomados como regras e tornam-se leis; leis que orientam e comandam a vida. O que significa dizer que se os costumes são bons, muito bem; entretanto, se os costumes são ruins, os desgostos também. E em se tratando da escolha de nossos gerentes, muitos ainda costumam vender seu voto em troca de tijolos, cimento, prestígio político ou financeiro, dinheiro pra comprar remédio, comida ou cachaça, ainda sem ter consciência de que está negociando algo que deveria ser inegociável: sua dignidade. E dignidade, dentre outros sinônimos, significa decência. Quem vende voto: vende sua decência e, desse ponto de vista, quem vende dignidade torna-se uma pessoa indecente.

Em se tratando desse caso, outro costume bem conhecido e perigoso é o da procura de um Salvador da Pátria. Costume esse implantado pelos próprios salvadores de araque, que vivem em permanente plantão à espera de abocanhar suas presas, vítimas incríveis e repetidamente fáceis de serem seduzidas e dominadas.

Na eleição do presidente do Sindicato dos Servidores Públicos, ocorrida nesse último sábado, dia 12 de janeiro de 2012, não terá se repetido esse costume? Afinal um sindicato é uma associação, e como tal, significa uma agregação de pessoas que se manifestam, opinam, votam, decidem por algo que seja favorável a todos ou à maioria. Portanto, fica claro, que um Sindicato não se restringe ao seu presidente ou ao pequeno grupo formado por sua chapa. O que significa afirmar que se o Sindicato dos Servidores Públicos de Araioses foi fraco foi porque a maioria de seus associados fracassou, foi porque muito provavelmente, em consequência de pouco conhecimento adquirido sobre direitos e deves, traçados por uma educação de qualidade duvidosa, o costume da preguiça e do individualismo se sobrepôs a uma atitude política e social mais firme, mais arrojada. Ademais, fica óbvio que o costume não permitiu que se enxergasse o óbvio: um Poder Executivo que consegue desrespeitar a todos desde que começou; que tem o topete, segundo boatos, de dizer que prefere pagar multa a fazer concurso público; que tudo de direito que o funcionário  conseguiu teve que esperar pela morosidade da justiça; um Poder Legislativo, onde pouquíssimos representantes podem realmente representar o povo e uma promotoria visivelmente silenciosa.

Ficou muito difícil perceber que diante dessa realidade o Sindicato dos Servidores Públicos conseguiu muitos ganhos? Ficou muito difícil perceber que se o Sindicato tivesse atuado como deveria se seus sócios fossem mais bem politizados, a batalha teria sido maior e os ganhos muito maiores? Ficou muito difícil perceber que os servidores hoje seriam infinitamente mais fortes e por isso mais respeitados? Ou ficou mais fácil acreditar que a simples troca de presidente vai devolver todos os direitos do servidor que vem sendo roubados pela atual administração da cidade de Araioses?

ONOVATO – 16/01/2012

 

O Novato é pseudônimo de um colaborar anônimo do programa Comando Geral, que eu apresento de segunda-feira a sexta-feira, na Rádio Santa Rosa FM, no horário das 12 as 14 horas.

Daby Santos

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