Mulher ganha neném na estrada e fica horas sem atendimento no hospital da prefeita


Miguel Luciano passou por maus momentos

Mulher teve filho na estrada e ficou horas na calçada do hospital da prefeita esperando ser atendida. Como sempre não tinha médico de plantão e o marido dela a ainda foi insultado por uma enfermeira raivosa

Mais um caso de falta de respeito e responsabilidade da administração do município com o povo araiosense. Mais uma vez uma pessoa procura atendimento no hospital da prefeita e o encontra de portas fechadas e sem um médico de plantão para socorrer quem precisa. Mais uma vez quem bate a porta do hospital regional é maltratado por funcionário daquela casa.
Desta vez foi Deuselina Barros Monteiro de 30 anos, que ficou hoje durante horas a porta do hospital e só conseguiu ser atendida por uma funcionaria raivosa depois da aglomeração na porta deste, quando revoltado Miguel Luciano Gomes Fontinele seu marido começou a bater com força na porta desesperado pedindo socorro.
O casal mora no povoado Baixão do Estreito, zona rural que fica cerca de 35 km de distância da cidade. Ele disse ao blog que a mulher começou a sentir as dores do parto antes da meia noite. Ela vendo a freqüência das contrações pediu que para ser trazida para o hospital, que foi feito por volta das duas da manhã. No caminho, dentro do carro a criança nasceu.
Ao chegar ao hospital logo depois das três da manhã o encontrou de portas fechadas. Gritou, pediu socorro e de dentro não apareceu ninguém para atendeu sua mulher e a criança que acabara de nascer. Deuselina ficou com seu bebê mais de duas horas deitada na calçada do hospital.
Só por volta das 5h30min finalmente um enfermeira de nome Maria José apareceu para atender a paciente. Porém ao ver as pessoas que cobravam providências e manifestavam revolta com a situação passou a destratar a todos e ainda disse a Miguel que ele nem devia ter levado sua mulher para lá.
O Hospital Regional de Araioses é de propriedade da prefeita e de seu marido o ex-deputado Remi Trinta. É o único que existe para atender a população. O Hospital Maternidade Nossa Senhora da Conceição – o Hospital do Município – teve suas portas fechadas por Luciana Trinta logo no seu primeiro ato como prefeita de Araioses, no dia 2 de janeiro, de 2009. De lá para cá já se perdeu a soma dos abusos cometidos ali.

Outros casos
Vários óbitos já ocorreram lá e a direção do hospital responde a vários processos por mortes causadas por negligência. O caso de uma gestante, menor de idade, grávida de gêmeos está entre os mais dramáticos. Durante dias ela foi lá para ser atendida e após um rápido atendimento era mandada de volta para casa. Até que num desses acabou morrendo nos corredores do hospital. A cena foi chocante. A mãe morta e as crianças se movimentando na barriga dela lutando pela vida. Não havia como sempre, um médico para atender a infeliz.
Também um caso de um policial militar em que o pai é vereador da base de apoio político da prefeita está na memória de muitos. Foi num dia de sábado. Ele passou mal ao tomar banho em sua casa e foi levado para o hospital da prefeita. Lá não tinha um médico de plantão e foi atendido por quem não tinha conhecimento da gravidade de sua doença. Depois de mais de duas horas foi levado na carroceria de uma camionete para Parnaíba. A estrada até a divisa do Maranhão com o Piauí, na localidade Pirangi era só buracos. Ele que estava enfartado como se veio, a saber depois, ainda resistiu três dias em uma UTI de um hospital naquela cidade. Sua morte é atribuída ao longo período que ficou no hospital em Araioses sem o socorro devido e as condições que foi transportado. O pai vereador que é membro da Comissão de Saúde da Câmara preferiu o silêncio o que indignou muita gente.
Na última quarta-feira, dia 5, em audiência pública promovida pelo Ministério Público do Maranhão, onde estavam presente as autoridades que promoviam o evento e todas as autoridades constituídas do município, entre elas a prefeita, o descaso da saúde pública de Araioses foi o grande destaque das denúncias feitas por vários que tiveram a oportunidade de opinar. O fato do único Hospital do Município está fechado há mais de dois anos causou espanto aos promotores que vieram de São Luis. Ao de Araioses não, pois ele tem conhecimento do fato desde o início e nunca tomou nenhuma providência.
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Em tempo: os funcionários do Hospital da prefeita estão a sete messes sem receber salários.

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