Síndrome de Joana D’arc


Será que Dilma está brincando com fogo ao implodir seus aliados políticos?

Leonardo Attuch, da revista IstoÉ

Qualquer líder político carrega um pequeno Napoleão dentro de si. Todos projetam uma autoimagem heroica, em maior ou menor escala. Dilma Rousseff não é diferente.

Para quem fugiu ao conforto de uma juventude tradicional, pegou em armas, combateu uma ditadura e depois foi presa e torturada, seria ingênuo imaginar que ela se submeteu a isso para simplesmente chegar ao poder e se comportar como todos que vieram antes dela.

Não. Dilma ainda carrega uma alma revolucionária, por mais que tenha feito concessões ao pragmatismo para estar onde está. E esse ethos guerreiro, de “ousar lutar, ousar vencer”, está presente em suas primeiras ações.

A Dilma que demite numa canetada toda a banda podre – se é que existe uma banda limpa – do PR no Ministério dos Transportes é a mesma menina rebelde dos anos 70. Uma garota que se revolta com o que vê de errado bem diante dos seus olhos.

Não foi à toa que Dilma ganhou dos militares o apelido de “Joana D’Arc subversiva”. O mito introjetado pela presidente na sua mente revolucionária foi o da heroína francesa, que conduziu o Exército do seu país na Guerra dos 100 Anos, contra a Inglaterra. E que, depois de vencer a batalha, foi capturada e queimada viva pelos adversários.

Não por acaso, os líderes do PR fizeram chegar ao Palácio do Planalto a mensagem de que a presidente estaria “brincando com fogo”. Eles ameaçam dar o troco nas próximas votações no Congresso, com o apoio dos caciques de outros partidos aliados, também insatisfeitos com o estilo Dilma.

O ex-presidente Lula, criador da criatura, já sinalizou que está receoso de que ela fique “isolada”. Ao contrário de Dilma, Lula foi um pragmático. Conduziu um Congresso mensaleiro no primeiro mandato e repartiu o pão farto das estatais no segundo

Dilma tem uma grande vantagem em relação aos antecessores. Se não for candidata à reeleição e estiver apenas esquentando a cadeira para a volta de Lula, como muitos desconfiam, terá mais liberdade para agir como bem entender, podendo garantir um lugar honroso na história.
E o mais provável é que esse fogo do PR e de outros partidos seja apenas um fogo de palha.

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