Joel – um velho solitário.


Por Daby Santos

Um homem só. Ele não pai, nem mãe. Também não tem filhos – nunca casou – e não sabe se ainda tem irmãos vivos. Seu nome Joel Dias de Oliveira, um paraense de Timboteu do Pará que foi trazido para Araioses ainda novo e por aqui foi ficando e como não tinha documentos foi registrado como araiosense.
Seu Joel diz ter nascido no ano de 1931. Vive só por não saber da existência de nenhum parente. Ele também é também só em seu local de moradia. Ele mora em um casebre de apenas um cômodo no meio dos matos no bairro Nova Conceição.
Para chegar lá tem que passar uma cancela improvisada de um terreno e seguir numa trilha até o local. Sua propriedade foi a ele doada pelo prefeito Tito Ferreira Gomes em seu segundo mandato que exerceu de 1983 até ser cassado no primeiro semestre de 1988. Diz ter documento do terreno, mas que esse fica guardado na casa dona Augusta, uma amiga que mora nas proximidades.
Perguntei como ele chegou até Araioses e ele me disse que foi no ano de 1958 já vindo do Ceará trazido por João Matias, seu padrasto que fugindo da seca veio escapar por aqui.
João Matias morreu anos depois no Acre. Mas tarde teve noticia da morte de sua mão que tinha ficado em Timboteu do Pará. Chegou a fazer três viagens para o Pará para trabalhar nos garimpos. Teve algumas malárias o que quase lhe custa a vida. Quase morto foi colocado num avião do governo do estado até Santarém onde pode ser medicado.
Seu Joel quer vender seu terreno e ir embora para sua terra natal ver se encontra algum parente. Sabe que não vai ser fácil, pois ninguém quer comprar uma propriedade de difícil acesso. Diz que a prefeita poderia pelo menos abrir uma rua por lá já que os proprietários dos terrenos que fazem divisa com o seu querem isso.
Enquanto isso não ocorre o velho solitário mantém o olhar perdido no horizonte como a esperar por quem não vem.

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