FOLIÕES DE CORAÇÃO

Tentando dar uma volta na tristeza o araiosense bota o bloco na rua. Pena que São Pedro, até o último momento, pareceu se encontrar em ritmo de quarta-feira de cinzas, como que insistindo em deixar o folião encolhidinho.
No quesito valorização do artista da terra, as ações de dona Luciana ainda deixaram a desejar, pois, ao contratar bandas de fora para animar o carnaval, desviou recursos que deviam está beneficiando melhor esta classe. Primeiro porque estaria proporcionando oportunidade de trabalho para pessoas da cidade; segundo, porque estaria permitindo-lhes condições reais de crescimento como músicos para que, cada vez melhor, pudessem realizar os próximos carnavais da cidade, saindo da condição de coadjuvantes, recebendo o reconhecimento popular e ajudando a fortalecer a cultura local.
Na mesma trilha, em quesitos como segurança e respeito pelo outro, ainda se tem muito que melhorar.
Existe entre os grupos musicais da cidade e entre as bandas nordestinas de maneira geral, a crença de que quanto maior a intensidade do som, melhor a qualidade da banda. Isso faz com que essas bandas invistam muito nesse aspecto e se descuidem do aspecto que realmente irá fazê-los crescer profissionalmente: o aperfeiçoamento das técnicas vocal e instrumental. Logo, seria muito importante que o músico em formação e aqueles que tentam conquistar seu espaço, comecem a pensar na qualidade musical de seu trabalho e atente para outro aspecto muito importante na vida de um ser humano: o respeito pelo próximo.
Por razões diversas, nem todos estão imbuídos do espírito carnavalesco. Algumas pessoas encontram-se enfermas, adultos crianças, idosos; outras acabaram de perder entes queridos, estão de luto, e a alegria alheia pode acabar ampliando sua dor. Além do mais, qualquer pessoa que não esteja com vontade de participar da festa, tem o direito de optar por outro programa. Neste sentido, numa demonstração de respeito pelo seu semelhante, as bandas deveriam realizar seu trabalho levando alegria para as centenas de foliões que se aglomeram nas ruas e no Viva Araioses, ajustando a altura do som de seus equipamentos (seja qual for a natureza da comemoração), para que aqueles que moram nos arredores e fizeram outra opção, tenham igual oportunidade de aproveitar o carnaval ou qualquer evento, da forma que quiserem.
Em relação ao quesito segurança, é imprescindível que se mantenha a proibição do uso de garrafas de vidro em qualquer festividade deste porte, pois, além de o álcool ser uma droga poderosíssima, uma pessoa que leva uma garrafa de vidro nas mãos está de posse de uma arma letal, tão perigosa quanto às demais. Afinal, para aqueles que entram nos bailes com garrafas nas mãos ou nos bolsos, não parece ser muito difícil transportar o conteúdo de uma garrafa de vidro para uma garrafa de plástico. Parece, sim, que providência tão simples quanto esta, seja capaz de evitar muitos acidentes e salvar inúmeras vidas. Além do mais, trará benefícios facilmente compartilhados, visto que, muitas famílias se encorajarão a participar das festas, mais turistas serão atraídos, o comércio e a cidade ampliarão sua receita, novos blocos podem surgir: de jovens, adultos, idosos e crianças; as bandas conquistarão o reconhecimento e os cachês que merecem, e a cultura local será fortalecida.
Novato é colaborador do programa jornalístico Comando Geral apresentado de segunda-feira a sexta-feira, ao meio dia na Radio Santa Rosa FM, por Daby Santos

3 pensou em “FOLIÕES DE CORAÇÃO

  1. Concordo com sua pessoa Daby, acho que a prefeita deveria ser mais humilde com o povo, ou será que ela já esqueceu de quem à colocou no poder em tão pouco tempo…
    Isso é uma vergonha pra gente que é filho de Araioses…Eu que já participei de organização de Bloco sei o quanto é dificil sem apoio…

    Será que tem jeito? Ou vai ficar assim durante 4 anos?…

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