A UTOPIA DA IMPARCIALIDADE

Pense bem!
O que normalmente sentimos diante de um crime bárbaro cometido contra uma ou mais pessoas que mal conhecemos? Daquelas, por exemplo, que vemos na TV? Agora, pense que este crime foi contra um conhecido, um amigo, um parente. E se fosse contra seu filho? Pense calmamente. A extensão do sentimento de revolta seria o mesmo? Por último, imagine que esta barbaridade tenha sido cometida por um filho seu. E agora? Tente ser o mais imparcial possível, se é que isso pode ser feito ao se trabalhar uma hipótese.
No primeiro caso, talvez sua revolta durasse o tempo em que a mídia bombardeasse o assunto; no segundo, no terceiro e no quarto a coisa mudaria sucessivamente de figura. Em todos os casos haveria um assassino bárbaro, mas a conotação dada ao assassinato seria diferente. Dependeria principalmente do grau de envolvimento que você mantivesse com o assassino ou com a vítima, isto é, do sentimento que você nutrisse por um deles. É claro que associados aos sentimentos de perda ou de revolta estariam seus valores, seu senso de justiça, e o nível do alcance de sua visão da realidade.
Portanto, somos imparciais, neutros ou justos até certo ponto. E aí a coisa se complica e ao mesmo tempo nos obriga a admitir as nossas limitações. O lado bom de tudo isso é que nunca paramos de aprender. Quando isso não acontece, estamos enterrados ou mortos-vivos; o que dá no mesmo. Para que fossemos imparciais seria necessário que não fossemos humanos. Mas, somos. Amamos. E naturalmente protegemos aqueles que queremos e que nos querem bem. Isso é indiscutível.
Na verdade é porque o ser humano é falho e social que existem as leis. A criação de direitos e deveres atua como um dos elementos de garantia de preservação da espécie.
Partindo desse princípio, o homem criou a obrigação de respeitar e ser respeitado. O que significa dizer que o homem de forma espontânea ou não, deve respeitar o direito do outro.
Diante de tudo que vem acontecendo na cidade de Araioses, desde que tomou posse a nova administração, não fica difícil entender que seus interesses estão em desacordo com os interesses dos funcionários públicos do município. Senão as medidas iniciais não teriam se caracterizado por pagamentos incompletos dos salários (quem tem dois turnos recebeu por apenas um), retirada de bolsa família, direitos adquiridos de educadores que tem curso superior e, pior ainda, desemprego de dezenas deles, supostamente em condições irregulares. Tudo isso depois da humilhação pela qual passaram nas filas da prefeitura, de 7h até as 2h da madrugada, sob sol e chuva.
Portanto, está passando da hora dos funcionários, independente de inclinação partidária, correrem atrás de seus direitos para conquistarem os elementos fundamentais de garantia de sobrevivência: trabalho e salários dignos; neste caso, de trabalho e salários que já eram seus e foram retirados. Desse modo, não só a prefeita aprenderá sobre democracia e respeito ao direito do outro. Todos aprenderão juntos. Os funcionários porque terão que arregaçar as mangas e ir à luta; ela, porque terá que entender que em tempos de democracia, ditaduras não se estabelecem.
Neste sentido, nunca é demais alertar para a necessidade de vigilância permanente das ações de alguns vereadores, uma classe que muito contribuiu para o fortalecimento do poder executivo, elegendo como presidente da Câmara municipal um membro de seu partido.
Vergonhosamente aliciados num primeiro momento, deviam ter no mínimo um pouco mais de nobreza, respeito por si mesmos, e cumprirem com suas obrigações com o povo que os elegeu. Se persistirem no erro e a lição for realmente bem aprendida pelos eleitores, o prazo máximo que terão que esperar pela resposta, será 4 anos.
O novato (09/02/09)

Novato é colaborador do programa jornalístico Comando Geral apresentado de segunda-feira a sexta-feira, ao meio dia na Radio Santa Rosa FM, por Daby Santos

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado.