TROPEÇAR É HUMANO

Quanto decepção, quanto cansaço, quanto aborrecimento, quanta amargura, quanta lágrima, quanto constrangimento, quanta humilhação e revolta poderiam ter sido evitados.
Do ponto de vista dos funcionários que passaram e ainda estão passando por todo esse terror que o fantasma do desemprego tem a capacidade de provocar, tudo poderia ter sido mais simples, e o desfecho desse triste episódio, menos nocivo.
Para eles, e para uma parte ampla da sociedade, bastava que a gestora, uma empresária de sucesso, cuja capacidade de organização foi sempre ressaltada por muitos, tivesse tomado medidas embrionárias como:
1- formar uma boa equipe de transição e, se preciso, entrasse na justiça para garantir seu direito de ter acesso às informações sobre a realidade do município;
2- diante da constatação de irregularidade na folha de pagamento realizasse o recadastramento;
3- autorizasse o pagamento, no banco, de todos os funcionários acima de tais suspeitas;
4-convocasse os que tivessem alguma pendência para esclarecimentos necessários;
5-perante a impossibilidade de tomar as providências acima relacionadas, no mínimo, promovesse a distribuição de senhas para as dezenas de funcionários dispostos em filas, desde, aproximadamente, às 7h, em frente à prefeitura.
6-jamais tentasse tirar o direito dos funcionários de receberem seus salários completos fossem eles professores com um ou dois turnos com seus respectivos benefícios adquiridos, agentes, operacionais ou vigias.
Mas, a gestora teve outro olhar sobre esse assunto e não houve conversa; e onde não há conversa, o respeito fica comprometido. Esqueceu-se de uma regra básica: todo administrador deve lembrar-se que além da gestão dos bens materiais do município também está lidando com a gestão de pessoas, e esta é a mais delicada, carece de sensibilidade apurada; ignorou a opinião do povo, que, de acordo com seus discursos de campanha, seria seu parceiro de administração; traiu sua confiança.
Entretanto, quem nunca tropeçou que atire a primeira pedra. Afinal, só tropeça quem tenta caminhar; deste modo, os tropeços podem estar presentes em qualquer jornada, em qualquer tentativa de aprendizagem.
Não há dúvidas de que se a prefeita refletir, perceber que sua atitude foi tão ou mais arrogante do que a da administração que ela está sucedendo e que tanto criticou nos palanques; entender que o dinheiro que foi removido das contas de funcionários pobres, principalmente a bolsa escola ou bolsa família, está lhes fazendo muita falta, principalmente para comprar comida para si e para seus filhos; procurar cumprir suas promessas de campanha, inclusive de valorizar os trabalhadores da educação; respeitar o que foi aprovado em matéria de benefícios para essa categoria e para as demais, independente de está se sentido lesada pela antiga administração, os reflexos desastrosos do seu posicionamento equivocado tenderão a desaparecer.
Então, poderá dar continuidade ao seu magnânimo propósito de transformar a cidade, com a ajuda de seus cidadãos, num lugar decente para todos.
Novato. (06/02/2009)

Novato é colaborador do programa jornalístico Comando Geral apresentado de segunda-feira a sexta-feira, ao meio dia na Radio Santa Rosa FM, por Daby Santos

4 pensou em “TROPEÇAR É HUMANO

  1. Os homens têm menos escrúpulos em ofender quem se faz amar do que quem se faz temer, pois o amor é mantido por vínculos de gratidão que se rompem quando deixam de ser necessérios, já que os homens são egoístas; mas o temor é mantido pelo medo do castigo, que nunca falha

    Maquiavel

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