O clima nada amistoso entre Roseana e Sarney Filho

Jorge Vieira – O ministro Sarney Filho (Meio Ambiente) desautorizou a irmã Roseana Sarney (PMDB), na manhã da última quinta-feira (11), no ato público de entrega da duplicação da BR-135, e ampliou o abismo político entre os herdeiros do sarneysmo.

A distância entre os dois parece bem maior que os cerca de 50 km, que os separavam no momento do ato político. Nos estúdios da Rádio Mirante AM, de propriedade do clã, a ex-governadora do Maranhão criticava o governador Flávio Dino. No Campo de Periz, Sarney Filho precisou de apenas onze segundos para reconhecer qualidades do governador do PCdoB e enterrar as pretensões da irmã.

“O governador Flávio Dino é um governador democrata. É um governador que tem elevado o nível de participação dos políticos no seu governo”, discursou Sarney Filho.

Foi em vão o esforço de Roseana Sarney que, por 14 minutos e 47 segundos, tentou negar práticas utilizadas pelo grupo Sarney em meio século de domínio coronelista no Estado.

“Somos um grupo que nunca foi tido como perseguidor. Nunca perseguimos ninguém, nunca odiamos ninguém”, repetia, numa espécie de exercício de autoconvencimento.

Sem situar concretamente a quem ou ao que se referia, Roseana Sarney disse que “as pessoas gostam de traição, mas não gostam de traidor” e afirmou estar tentando reunificar a classe política com o povo maranhense. Como diria Garrincha, esqueceu de combinar com “russo” irmão e ministro Sarney Filho.

HISTÓRICO DE REJEIÇÃO – A relação política entre Sarney Filho e Roseana Sarney não é das mais amistosas. Em 1990, Sarney Filho teve a pré-candidatura ao governo lançada, mas foi preterido na disputa pelo então candidato Edison Lobão.

Em 1994, Roseana Sarney foi escolhida candidata do grupo ao governo.

Em 2004, o ex-governador Zé Reinaldo defendia Sarney Filho para a sucessão, mas passou a ser alvo de ataques de Roseana Sarney. Rompeu com o grupo Sarney e apoiou a candidatura vitoriosa de Jackson Lago (PDT), depois cassado num golpe jurídico patrocinado pelos Sarneys.

Em 2017, Sarney Filho decidiu lançar candidatura ao Senado contrariando a irmã, que vê no projeto mais um empecilho na tentativa de voltar ao Palácio dos Leões.

Diferente do passado, Sarney Filho não esconde o desconforto em ter Roseana Sarney como companheira de chapa, conforme noticiaram recentemente jornalistas da GloboNews e Valor Econômico. Segundo eles, o ministro do Meio Ambiente disse ter maiores chances de eleição para o Senado numa chapa liderada pelo senador Roberto Rocha (PSDB).

Antes, ao anunciar a pré-candidatura, em junho do ano passado, Sarney Filho afirmou a O Imparcial, que não formaria chapa com a irmã na disputa pelo Senado.

Provável que os elogios públicos de Sarney Filho a Flávio Dino acirrem ainda mais a disputa dos irmãos pelo que sobrou do espólio sarneysta.

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