Traduzindo Flávio Dino: “não serei Jackson Lago”

Ed Wilson Araújo – As postagens do governador Flávio Dino (PCdoB) no twitter dão o tom da guerra que será travada em 2018 no Maranhão.

O comunista engrossa o discurso contra o seu principal opositor, José Sarney (PMDB), dizendo que não vai permitir golpe no Maranhão.

Por golpe, entenda-se oposição violenta, boicote e operações nada republicanas fartamente conhecidas do nosso histórico eleitoral.

O caso “Reis Pacheco”, as investidas contra Epitácio Cafeteira na eleição de 1986 e a cassação do governador Jackson Lago (PDT) em 2009 são exemplos para lembrar, refletir e se preocupar.

Colado no PMDB nacional, José Sarney criou uma espécie de governo paralelo no Maranhão, fazendo ligação direta entre o Palácio do Planalto e os municípios, mediante o controle dos órgãos federais.

Abastecidos por convênios de Brasília, alguns prefeitos já começaram a descolar do projeto da reeleição comunista e manifestam apoio à provável candidatura de Roseana Sarney (PMDB).

Flávio Dino também pode ter baixas na base fisiologista que o apoiou em 2014. Essa gente interesseira, transformada em comunista da noite para o dia, já toca foguete com a expectativa do retorno de Roseana Sarney.

Por outro lado, os setores mais progressistas e aliados históricos, de fato engajados no governo Flávio Dino por princípio e projeto político, demonstram muita insatisfação.

O cenário é demais parecido com aquele vivenciado por Jackson Lago. Eleito em uma aliança ampla, com a mesma base fisiológica que deu a vitória a Flávio Dino, o governador acabou cassado e sozinho.

Avisado muitas vezes do perigo de Brasília, Jackson Lago abriu a guarda. E perdeu.

Flávio Dino é jovem, tem mais pulso, é vigilante e rigoroso na gestão, cerca-se do máximo possível de bons quadros e trabalha sem parar. E sabe, acima de tudo, que Brasília manda no Maranhão.

Por isso ele afirma, nas entrelinhas do twitter, que não será Jackson Lago.

Ocorre que a base fisiologista, na qual os comunistas ergueram o governo, é frágil e historicamente viciada. Muda de lado no primeiro tilintar de moedas.

Dizia o poeta Maiakóvski: “o mar da História é agitado”. Ainda mais no Maranhão, onde o mar tem dono.

Seria o caso, neste momento, de mudar o rumo e fazer uma aliança ampla, geral e irrestrita com a base do campo democrático-popular. Esta sim, fiel e verdadeira.

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